
Hoje gastei um tempo olhando os meus filhos dormindo. Primeiro sentei ao lado da cama do mais velho. Fiquei chocada ao ver como o tempo escorregou por entre meus dedos. Parece que foi ontem que descobri que estava grávida dele. É difícil descrever o sentimento que brotou em meu coração quando soube que o existia um pequeno ser crescendo dentro de mim. Poucas semanas depois, as evidências eram claras... passei mal por muitos meses. Os enjôos, o inchaço, as expectativas, os desejos de grávida... Incrível, parece que foi ontem que olhei nos olhos daquele bebê pela primeira vez. Segurá-lo em meus braços era o suficiente para me reanimar para aguentar as noites mal-dormidas, o corpo fora de forma, as dores nas costas...
Passando as mãos em seus cabelos cacheados me lembrei quando começou a engatinhar, os primeiros passos, as palavras. Sua risada gostosa e voz fina cantando ecoava em minha mente. Seus olhos de jabuticaba ágeis e vivos ficavam atentos a tudo. Aprendeu a andar, a correr, a falar (muito), a brincar. Entendeu que agora não seria mais o único filho.
Passei a mão no rosto do mais velho e orei pelo seu presente. Pelo seu futuro. Pelas suas escolhas. Pelo seu coração. Pelos seus desejos e sonhos. Orei para que o Senhor seja o centro de tudo isso. Agora mais tranqüila sentei ao lado do berço do mais novo.
Ainda tão pequeno, tão dependente... tão especial. Lembrei de seu sorriso de quatro dentes. De suas bochechas rosadas. Da maneira engraçada como engatinha - com uma perna dobrada e outra esticada. Sorri ao pensar na gargalhada gostosa que não consegue segurar quando beijo seus pezinhos que mais parecem pãezinhos. Fechei os olhos e revivi os momentos em que se diverte brincando com o irmão e o pai. Sua voz rouca e forte que me chama todas as manhãs - mãmã. A alegria que estampa no rosto quando entro em seu quarto. Os bracinhos esticados, esperando para me abraçar. A maneira como gosta de passear de carrinho... fica balançando as pernas gorduchas constantemente.
Naquele momento de silêncio, senti a responsabilidade dada por Deus a mim - mãe de duas crianças criadas a Sua imagem. Pensei em Maria, mãe de Jesus. A Bíblia fala que esta mulher guardava em seu coração tudo o que via e vivia ao lado do seu filho. As mães são assim. É impossível tirar do coração de uma mãe o desejo de querer o melhor para seus filhos. É impossível apagar as memórias de momentos vividos que não voltam mais.
Pensei no sofrimento que Maria deve ter sentido ao ver seu filho pendurado na cruz. Acredito que nada nesta vida a preparou para viver aquilo. Mas ela estava ali. Aos pés de Jesus. Acredito que enquanto via a vida de seu filho se esvaindo ela se lembrou dos momentos que estavam guardados em seu coração. Creio que também rogou mais uma vez que Deus sustentasse e dirigisse seu Filho para que cumprisse o papel a que foi destinado. Por mais duro que fosse.
No quarto dos meus filhos orei por todas as mães. Aquelas que são agraciadas com filhos que lhes dão muito orgulho e alegria. Aquelas que cujo coração é constantemente quebrantado por situações diferentes daquelas que gostariam de viver. Orei para que coloquem a vida de seus precisos filhos nas mãos do Criador. E que nos braços do Senhor encontrem paz...

